Público Notícia do jornal Público
10 de novembro de 2017

A grande maioria dos alunos que chumbam no 7.º ano de escolaridade, cuja idade de frequência “normal” está entre os 12 e os 13 anos, tem notas negativas a mais de metade das disciplinas do currículo. Mais concretamente, 66% têm seis ou mais negativas. Se o limiar de contagem for o de cinco ou mais negativas esta proporção aumenta para uns “impressionantes” 85%, frisa a Direção-Geral de Estatísticas de Educação e Ciência (DGEEC), responsável por este levantamento.

 

 

Em 2014/2015, chumbaram 13,1% dos 300.429 alunos inscritos no 3.º ciclo em escolas públicas de Portugal Continental. Esta percentagem sobe para 16,7% se apenas se tiver em conta o 7.º ano, o primeiro dos três que compõem o 3.º ciclo e que é tradicionalmente um dos que regista piores desempenhos no que respeita à taxa de retenção. Entre estes alunos 66% tiveram negativa a seis ou mais disciplinas ou seja, sublinha a DGEEC, estamos perante “dificuldades escolares generalizadas”, como também mostra o facto de existirem “pouquíssimas retenções à tangente”. Só 3% chumbaram por terem negativa a três disciplinas.

 

A existência destas “dificuldades generalizadas” entre os alunos que reprovam sugere, segundo a DGEEC, que existem “fatores estruturais relacionados com o contexto geral do aluno, a sua motivação para o estudo e a sua relação com a escola, presente e passada, que afetam transversalmente todas as disciplinas”.

 

O peso do meio

Esta transversalidade verifica-se também quando o foco de análise se centra na influência do contexto no desempenho por disciplina. Para analisar este domínio, a DGEEC recolheu as classificações obtidas pelos alunos que estão nos dois escalões (A e B) da Ação Social Escolar (ASE) e as que obtiveram os que não têm estes apoios. A ASE destina-se a apoiar os agregados familiares com rendimentos iguais ou inferiores ao salário mínimo nacional, sendo o escalão A o que agrupa os mais desfavorecidos.

As diferenças de desempenho escolar entre os três grupos de alunos são extremamente vincadas e surgem, de forma transversal, em todas as disciplinas curriculares”, frisa a DGEEC a este respeito. No 7.º ano de escolaridade, 51% dos alunos do escalão A da ASE tiveram negativa a Matemática, enquanto no grupo dos que não têm apoios económicos do Estado, por serem de contextos mais favorecidos, esta percentagem desce para 25%.

 

Em todas as outras disciplinas a proporção dos alunos do escalão A que têm negativas duplica sempre a registada entre estudantes de contextos socioeconómicos mais favorecidos. Mesmo em Educação Física, que é a disciplina onde existem menos negativas, a percentagem daqueles que não passaram é de 5% para os beneficiários escalão A e de apenas 2% entre os que não têm apoios sociais.

 

Desempenho no 3.ºciclo do ensino público

Quantos alunos tiveram negativa em cada disciplina, entre os alunos matriculados no 7.º ano em cada escalão de apoio da Ação Social Escolar, em 2014/15?

 

Quantas negativas tiveram os alunos que chumbaram?
Quantas negativas tiveram os alunos?

Quantos alunos tiveram negativa, por ano de escolaridade

 

 

Consultar mais informação:

 

Notícia completa “Alunos: dois terços dos que chumbam no 7.º ano têm negativas a mais de metade das disciplinas”
https://www.publico.pt/2017/11/10/sociedade/noticia/dois-tercos-dos-que-chumbam-no-7-ano-tem-negativas-a-mais-de-metade-das-disciplinas-1792012

Jornal Económico
Notas: Educação Física é a campeã dos “5”, Português fica em último
Um estudo da Direção-Geral de Estatísticas de Educação e Ciência hoje divulgado revela que apenas 5% dos alunos obteve a classificação máxima de 5 a Português, contra 20% a Educação Física em 2014/15.
http://www.jornaleconomico.sapo.pt/noticias/notas-educacao-fisica-e-a-campea-dos-5-portugues-fica-em-ultimo-23131

Relatório completo (disponível na DGEEC)
http://www.dgeec.mec.pt/np4/873.html

 

 

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