O INE divulgou de forma integrada um conjunto de indicadores sobre a realidade portuguesa. Do Território, à População, da Actividade Económica ao Estado, a informação apresentada mostra algumas curiosidades e situa Portugal no contexto europeu.
Desde 1990, as temperaturas médias anuais variaram entre 14,9 e 16,6 ºC. As temperaturas mais elevadas foram observadas nos meses de Julho e Agosto, atingindo, em média, máximas de cerca de 30 ºC.
Nos últimos quinze anos, o valor médio de precipitação anual rondou os 852 mm, verificando-se oscilações entre os 542 e os 1 092 mm. O menor valor médio de precipitação anual desde 1990 registou-se em 2004 (541,9 mm).
Existe uma concentração de itinerários principais (IP) e complementares (IC) ao longo da faixa litoral, principalmente no litoral norte, verificando-se uma maior densidade da rede rodoviária nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto.
A extensão da rede ferroviária no continente tem diminuído ao longo dos últimos anos. Entre 1991 e 2004, observou-se uma redução de 281 km; no entanto, a extensão de linhas electrificadas aumentou 897 km.
É nas áreas metropolitanas que a pressão construtiva assume maiores valores. São estas as regiões em que os processos de edificação e as expectativas de urbanização, traduzidas designadamente pelo peso das licenças de construção requeridas, são mais significativos.
Ao nível das NUTS II, verifica-se que o Algarve detém, por si só, 38% da capacidade hoteleira do país.
Na região Norte a percentagem de população servida por sistemas de abastecimento de água é o menor (82,8%). Este indicador situa-se nos 92% em termos de cobertura nacional.
É na Região Autónoma dos Açores que se detectam as maiores deficiências no tratamento dos efluentes produzidos: cerca de dois terços não são integrados nos sistemas de tratamento de águas residuais.
É no domínio da gestão de resíduos que os municípios realizam os maiores níveis de despesa – 59% do valor total –, verificando-se que a componente da protecção da biodiversidade e da paisagem corresponde apenas a 8%.
Ao contrário da tendência crescente da fecundidade entre 1995 e 2000, desde 2000 têm vindo a nascer menos crianças em Portugal.
A variação substancial nos padrões demográficos da população portuguesa tem implicações em várias outras dimensões da vida nacional. Uma destas dimensões prende-se com a diminuição sensível do número de alunos nos ensinos básico e secundário.
No ensino superior, o número de alunos matriculados (400 831 em 2002/03 e 395 063 em 2003/04) sugere o começo de uma tendência semelhante de contracção ou, no mínimo, de estagnação.
Cerca de 70% das crianças entre os 3 e os 6 anos de idade frequentam o ensino pré-escolar, aumentando aproximadamente em 44 mil o número de alunos matriculados, na oferta pública desse nível, entre os anos lectivos de 1990/91 e 2003/04.
A percentagem dos jovens entre os 20 e os 24 anos em 2004 que concluíram, pelo menos, o ensino secundário é somente de 49%. No mesmo ano, esse indicador foi 73,8% na EU-15 e 76,7% na EU-25.
Relativamente aos índices de envelhecimento, verifica-se não só que a dimensão do grupo dos idosos é superior à do grupo dos jovens já desde 2000, mas também que a relação entre eles se tem vindo a desequilibrar progressivamente.
O número de pensões de velhice em Portugal tem crescido a um ritmo considerável: cerca de 1,3% por ano, em média, entre 1995 e 2004, ano em que ultrapassou os 1,7 milhões.
A idade efectiva de reforma em Portugal situa-se abaixo da idade mínima padrão (65 anos): em 2001, para os homens, era de 62,3 anos, em média, subindo para 63,7 anos em 2003; contudo, neste mesmo ano (2003), no contexto europeu, Portugal foi o segundo país com uma idade média efectiva de reforma mais elevada.
Entre 1990 e 2003:
O número de médicos por 1 000 habitantes passou de 2,8 para 3,3;
Os portugueses têm demonstrado um aumento do interesse em vários desportos, reflectido no número de atletas federados: 265 588 em 1996, 362 744 em 2003. Este fenómeno é particularmente visível no futebol.
O ganho médio mensal em 2002 foi de 813 euros. Contudo, esta média não é representativa das remunerações auferidas em todos os sectores de actividade: no sector primário, a mesma média, correspondeu a 569 euros, no sector secundário a 724 euros, e no sector terciário a 887 euros.
No período 1998-2004:
A população empregada no sector secundário desceu de, aproximadamente, 35,1% para 31,2%, e o sector terciário conheceu um aumento de 51,4% para 56,8% da população activa;

O preço da energia eléctrica para usos industriais, ainda que não seja o mais alto da UE e que tenha exibido uma tendência globalmente decrescente, tem estado sempre acima da média da UE (7,5% em 2004).
Assiste-se a um declínio contínuo da frota pesqueira, sendo que em 2004 esta representava menos de dois terços da frota de 1990, recaindo a maior redução sobre as embarcações sem motor.
Em 2004:
Portugal estava numa situação mais favorável do que a da Itália (-3%), Reino Unido (-3,2%), França (-3,7%), Alemanha (-3,7%) e Grécia (-6,1%); nesse mesmo ano, apenas cinco países apresentam um excedente: a Dinamarca (2,8%), a Finlândia (2,1%), a Suécia (1,4%), a Irlanda (1,3%) e a Bélgica (0,1%).
Em termos de divida pública consolidada em percentagem do PIB, Portugal apresentava um valor de 61,9%, enquanto que essa percentagem para a Irlanda e para o Reino Unido era de 29,9% e 41,6% respectivamente.
Existe uma tendência para a redução da dívida pública consolidada em percentagem do PIB na generalidade dos países europeus, mas não no caso português, que está em crescendo desde 2000, invertendo a tendência decrescente de 1995 a 1999.
O número de processos findos nos tribunais é inferior ao número de processos entrados, sendo os processos cíveis em número muito superior aos processos penais e aos processos tutelares.
A duração média dos processos apresenta uma ligeira tendência para diminuir nos processos penais, de trabalho e tutelares, mas é inversa no caso dos processos cíveis, nos quais continua a ser bastante superior a um ano.
A actividade criminal registada, ainda que em crescendo, não variou muito no período 1998 a 2004, com um ligeiro aumento relativo dos crimes contra o património.
A construção de mais um estabelecimento prisional, no período 2000-2003, levou a uma descida da taxa de utilização destes estabelecimentos, que, contudo, continuava a estar acima dos 100%.
Em 2003 registou-se uma distribuição do número de condenados por tipo de crime bastante distinta dos anos anteriores, em parte devida também a alterações legislativas. A par de uma diminuição do número relativo de condenados por crimes relacionados com estupefacientes, assistimos ao aumento da proporção de condenados por crimes contra o património e contra as pessoas.
Para saber mais...
Fonte:
Anuário Estatístico de Portugal 2004 (o Instituto Nacional de Estatística divulga a sua principal publicação de referência, que celebra o seu 129.º aniversário). Este Anuário está dividido em quatro capítulos - O Território, As Pessoas, A Actividade Económica e O Estado - e vinte e cinco sub-capítulos com tabelas de dados. Cada capítulo apresenta um texto de análise baseado na evolução dos principais indicadores no período 1990 - 2004 e comparações com a União Europeia.
Alguns conceitos utilizados :
Nota: ver outros conceitos no Glossário