Anexo - Ferramenta útil no cálculo das probabilidades quando se utiliza a regra de Laplace - Análise Combinatória
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A regra de Laplace é muito útil na determinação da probabilidade de acontecimentos associados a um espaço de resultados discreto, quando os resultados são todos igualmente possíveis. É neste ponto que se torna útil a Análise Combinatória, como ferramenta auxiliar nos problemas de contagens do número de resultados que compõem o espaço de resultados e o acontecimento de que se pretende calcular a probabilidade. De seguida são apresentados alguns resultados retirados fundamentalmente de Graça Martins et al. (1999).

Teorema 1 - Com m elementos a1, a2,..., am e n elementos b1, b2, ..., bn, é possível formar  m x n   pares (ai, bj) contendo um elemento de cada grupo.


Este teorema pode ser generalizado para triplos, quádruplos, etc.

Exemplo

Suponhamos que cada pessoa de uma população pode ser classificada de acordo com 3 critérios: sexo, estado civil e profissão. Admitindo 4 categorias para o estado civil e 15 profissões, então o número de elementos do espaço de resultados associado ao fenómeno que consiste em seleccionar uma pessoa ao acaso e classificá-la segundo os 3 critérios é

2 x 4 x 15 = 120


Teorema 2 - Dada uma população de n elementos, o número de amostras ordenadas distintas, de dimensão r, que se podem seleccionar é :

- nr, se a selecção for feita com reposição;

- n x (n-1) x (n-2) x ... x (n-r+1), se a selecção for feita sem reposição.

Diz-se que se tem um esquema de amostragem aleatória simples, quando todas as amostras possíveis têm a mesma probabilidade de serem seleccionadas, nomeadamente, ou quando se realiza a selecção com ou sem reposição, respectivamente. Repare-se que quando n é grande e r relativamente pequeno, , pelo que os dois esquemas de amostragem são praticamente equivalentes.

Observação: Na amostragem com reposição a probabilidade de que um elemento seja seleccionado, pelo menos uma vez, é (Repare-se que se existem n elementos, e se selecciona aleatoriamente um deles, a probabilidade de um dado elemento ser seleccionado é 1/n, pelo que a probabilidade de não ser seleccionado numa extracção é (1-1/n) e nunca ser seleccionado é (1-1/n)r, pelo que a probabilidade pretendida é a que se considerou anteriormente, já que o acontecimento ser seleccionado pelo menos uma vez é o complementar do acontecimento nunca ser seleccionado).

Na amostragem sem reposição, a probabilidade de um elemento da população ser seleccionado para uma amostra de dimensão r é .

Ao número de maneiras distintas de extrair ordenadamente r elementos de um conjunto de n elementos, dá-se o nome de arranjos completos ou arranjos simples, de n r a r, conforme a selecção for feita com ou sem reposição, respectivamente.


Arranjos completos (Arranjos com repetição)
Ao número de modos distintos de extrair ordenadamente e com reposição, r elementos de um conjunto com n elementos, dá-se o nome de arranjos completos de n, r a r e representa-se por  nA'r.  Esse número é igual a nr.
Tem-se então =
nA'r = nr
Os arranjos completos contam assim o número de maneiras possíveis de arranjar, com possíveis repetições, sequências de r elementos de um conjunto de cardinalidade n.


Arranjos simples (Arranjos sem repetição)

Ao número de modos distintos de extrair ordenadamente e sem reposição, r elementos de um conjunto com n elementos, dá-se o nome de arranjos simples n, r a r e representa-se por  nAr.  Esse número é igual a
n x (n - 1) x ... x (n - r + 1).

Tem-se então  nAr = n x (n - 1) x ... x (n - r + 1) ou, de outro modo,

Os arranjos simples contam assim o número de maneiras possíveis de arranjar, sem repetições, sequências de r elementos de um conjunto de cardinalidade n.
Note-se que tem de se ter sempre r
£ n.

Exemplo

Uma amostra aleatória de dimensão r, é seleccionada de um população de dimensão n. Qual a probabilidade de que na amostra não apareçam elementos repetidos?

Estamos numa situação em que o número de casos possíveis é nr, enquanto que o número de casos favoráveis é n x (n-1) x (n-2) x ... x (n-r+1), pelo que a probabilidade pretendida é .

Exemplo - Um elevador sobe com 7 pessoas e para em 10 andares. Qual a probabilidade de que não haja 2 pessoas a saírem no mesmo andar? Para responder a esta questão admitimos que cada pessoa tem igual probabilidade de abandonar o elevador em cada um dos andares. Então a probabilidade pretendida será = 0.06048.

Exemplo - Qual a probabilidade p de que, em r pessoas, não haja 2 a fazer anos no mesmo dia?

Admitindo que o ano tem sempre 365 dias, o problema consiste em seleccionar r dias distintos, pelo que a probabilidade pretendida é . Se se considerar r=23 verifica-se que p<1/2, isto é, se estiverem 23 pessoas numa sala, a probabilidade de que pelo menos duas façam anos no mesmo dia é superior a 1/2.


Corolário - O número de diferentes ordenações de n elementos é   n! = n x (n - 1) x ... x 2 x 1. A este número chamamos permutação de n e representa-se por n! (lê-se factorial de n).

O factorial de n conta assim o número de maneiras de arranjar todos os elementos de um conjunto de cardinalidade n numa sequência sem repetições. Representa pois o número de permutações que é possível fazer com n elementos distintos. Esse número é igual a   n x (n - 1) x ... x 2 x 1
Tem-se então  n! = n x (n - 1) x ... x 2 x 1.


Teorema 3 - Dada uma população de n elementos, o número de maneiras distintas de dividir os n elementos em k grupos distintos com n1, n2, ..., nk elementos respectivamente, é onde .

Exemplo

Para 4 tipos de trabalho, para os quais existem respectivamente 6, 4, 5 e 5 vagas, candidataram-se 20 trabalhadores. Depois de feita a atribuição dos candidatos aos 20 postos de trabalho, houve contestação da parte de alguns trabalhadores que argumentaram que a selecção não tinha sido feita aleatoriamente, já que os 4 elementos pertencentes a determinado grupo étnico estavam todos colocados no primeiro trabalho para o qual havia 6 postos de trabalho e que era o que apresentava piores condições. Se a atribuição dos postos de trabalho tivesse sido feita de forma aleatória, qual a probabilidade do acontecimento considerado?

Número de resultados possíveis =

Número de resultados favoráveis =

Probabilidade pretendida = = 0.0031.


Tendo em conta o valor, tão pequeno, obtido para a probabilidade é de desconfiar que a atribuição tivesse sido aleatória.

 


Como caso particular do resultado anterior, temos:

Teorema 4 - Dada uma população de dimensão n, o número de amostras não ordenadas (não interessa a ordem pela qual os elementos são seleccionados para a amostra) distintas ou subconjuntos de dimensão r, que se podem seleccionar da população, é dado por . A este número chamamos combinações de n   r a r.


Combinações

O número de subconjuntos de dimensão r que se podem formar de um conjunto S de dimensão n é dado por . A esse número dá-se o nome de combinações de n,  r a r  e representa-se por ou .

Tem-se então ou .

Ou ainda ou .

Exemplo

Suponha uma escola com 30 turmas, cada uma tendo 2 alunos que pertencem ao Conselho Pedagógico (CP). Numa reunião em que estão 30 alunos pertencentes ao CP, seleccionados aleatoriamente, calcule a probabilidade dos seguintes acontecimentos

A - uma dada turma está representada

B - todas as turmas estão representadas.

Para calcular a probabilidade da turma estar representada, é mais fácil calcular a probabilidade da turma não estar representada, cuja probabilidade é = 0.246. Então a probabilidade da turma estar representada é P(A) = 1-0.246 = 0.754.

Para calcular a probabilidade do acontecimento B, repare-se que o número de casos favoráveis a B é 230, pelo que a probabilidade pretendida será P(B) =