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Consumo
de proteínas e gorduras em Portugal
é três vezes superior ao recomendado
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A
Balança Alimentar Portuguesa revela que os portugueses
apresentam uma dieta alimentar desequilibrada com uma alimentação
deficiente em frutos, hortícolas e leguminosas secas e
rica em gorduras e proteínas.
O
consumo de bebidas não alcoólicas ultrapassou o
consumo de bebidas alcoólicas à custa essencialmente
da água engarrafada. De referir ainda o consumo de produtos
estimulantes como o cacau e chocolate que, no período em
análise, duplicou.
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Balança
Alimentar Portuguesa
A
Balança Alimentar Portuguesa (BAP) é um instrumento
analítico de natureza estatística, fundamental para
o conhecimento das disponibilidades alimentares e nutricionais
do país, expresso em consumos brutos médios diários,
traduzidos em calorias, proteínas, hidratos de carbono,
gorduras e álcool.
O INE disponibiliza, no seu site (www.ine.pt)
um conjunto de quadros estatísticos relativos ao período
1990-2003, que permitem retratar a evolução e o
perfil do consumidor nacional em termos de produtos, nutrientes
e calorias.
BAP
evidencia desequilíbrio da roda dos alimentos
No
gráfico que se apresenta de seguida, referente ao ano de
2003, pretende-se comparar os valores de consumo diário
recomendados pela Roda dos Alimentos, para os diferentes grupos
alimentares, e as capitações diárias apuradas
pela BAP. Os resultados dessa comparação são
as diferenças assinaláveis com impacto no equilíbrio
e qualidade da dieta da população portuguesa.
Na figura seguinte, podemos ler na parte exterior da circunferência,
percentagens a verde, os valores de referência da Roda dos
Alimentos para os diferentes grupos de alimentares enquanto na
circunferência interior, percentagens a preto, apresentam-se
os valores obtidos na BAP
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De
facto, constata-se que o português consome em média
3 vezes mais proteínas, obtidas a partir do grupo das "carnes
e miudezas, pescado e ovos", e gorduras, que o recomendado
pelos especialistas. Pelo contrário, o consumo de produtos
hortícolas é apenas cerca de metade da estrutura
indicada pela Roda dos Alimentos. O consumo de frutos segue idêntica
tendência, representando na BAP apenas 15% da capitação
edível diária contra os 20% aconselhados pela Roda
dos Alimentos. Já o consumo de cereais, raízes e
tubérculos e de leite e derivados se encontra próximo
do recomendado.
Consumo
de cacau e chocolate duplica em 14 anos
O
aumento do consumo per capita diário dos produtos
estimulantes deve-se essencialmente ao aumento, para o dobro,
do consumo de cacau e chocolate, uma vez que o acréscimo
de consumo de café, misturas e seus sucedâneos, foi
bastante mais moderado (+18%).
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e
perda de importância relativa do consumo da carne de bovino
O
aumento do consumo de carnes brancas (suíno e animais
de capoeira) e perda de importância relativa do consumo
da carne de bovino caracterizam o padrão de consumo do
grupo "carnes e miudezas" nos últimos anos.
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No
grupo das carnes e miudezas, as carnes de suíno e de
animais de capoeira foram as que apresentaram o maior acréscimo
no consumo per capita diário no período
em análise, 61% e 45% respectivamente, enquanto que o
consumo de carne de bovino apenas aumentou 5%, tendo perdido
importância relativa na estrutura de consumo deste grupo
em cerca de 5 pontos percentuais.
Aumento
generalizado do consumo de leite e derivados
No
grupo do leite e derivados, o leite representava em 2003 cerca
de 70% do consumo per capita diário total, seguido
dos iogurtes (14%) e do queijo (7%). No entanto, entre 1990
e 2003, assistiu-se ao grande aumento do consumo de iogurtes,
que aumentou 1,5 vezes no período em análise,
seguido do consumo de queijo que atingiu em 2003 as 24,4 gramas
diárias per capita.
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e diminuição do consumo de vinho e cerveja face
ao aumento do consumo da água e refrigerantes
Tendo
em conta a estrutura do consumo per capita das bebidas,
no período em análise regista-se uma alteração
do padrão de consumo, com as bebidas alcoólicas
a perderem importância relativa, passando dos 65% da estrutura
de consumo, em 1990, para 42% em 2003. A diminuição
da importância do vinho, que em 14 anos atingiu os 13
pontos percentuais, afigura-se como a principal causa desta
alteração estrutural. A substituição
fez-se à custa das bebidas não alcoólicas,
cuja contribuição para o total da estrutura de
consumo das bebidas atingiu, em 2003, os 58%. As águas
tornaram-se, assim, a bebida com maior consumo per capita
diário (29%), seguidas dos consumos de refrigerantes
e sumos de frutos (29%).
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No
caso das bebidas alcoólicas, o consumo per capita
diário diminuiu 16% no período 1990-2003, sendo
a redução mais notória a do consumo de vinho
(-25%). Contrariamente, o consumo das bebidas não alcoólicas
mais que duplicou, como consequência do maior consumo de
sumos e néctares de frutos (+196%), das águas engarrafadas
(+123%) e dos refrigerantes (+89%).
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Para
saber mais...
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Fonte:
Instituto Nacional de Estatística. Para aceder ao Destaque
integral desta Actualidade pode aceder aqui.
Ficha técnica de execução:
Projecto de divulgação quinquenal que tem como período
de observação o ano civil e que, em termos de campo
de observação, integra todos os produtos da agricultura,
pescas e indústria alimentar, cuja principal aptidão
seja a alimentação humana, sistematizados na classificação
para efeitos de balança alimentar portuguesa.
O cálculo dos consumos de cada um dos grupos de produtos
alimentares e bebidas estabelece-se com base em equilíbrios
entre recursos e empregos a nível tão desagregado
possível, sendo traduzidos em termos de macronutrientes
(proteínas, gorduras, hidratos de carbono, álcool)
e calorias.
Para consultar a publicação
Balança Alimentar Portuguesa, pode aceder aqui.
Notas Metodológicas:
Campo de observação: integra todos os produtos,
da agricultura, pescas e indústria alimentar, cuja principal
aptidão seja a alimentação humana, sistematizados
na Classificação para efeitos de Balança
Alimentar Portuguesa (CBAP).
Classificação para efeitos de Balança Alimentar
Portuguesa (CBAP): construída exclusivamente para as necessidades
de elaboração da balança alimentar, constituída
por 17 Grupos, 60 subgrupos e 91 desdobramentos.
Alguns conceitos utilizados:
Capitação
bruta anual: quociente entre o consumo humano bruto e o
número de pessoas residentes no território nacional
a meio do ano (30 de Junho), expresso em quilogramas nos produtos
alimentares e em litros nas bebidas.
Consumo humano bruto: quantidades de produtos postos
à disposição da população,
quer sob a forma de produto primário para consumo nesse
estado, quer sob a forma de produto transformado, convertido
a primário. Isto significa que quando se refere um dado
consumo de frutos frescos, por exemplo, estão incluídos
também todos os transformados obtidos a partir deles,
designadamente os sumos.
Nota: ver outros
conceitos no Glossário
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