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O número de pessoas
idosas residente em Portugal mais que duplicou nos últimos quarenta anos
Inversão
da pirâmide etária
O
envelhecimento da população portuguesa tem vindo a acentuar-se
quer pela base da pirâmide etária, com a diminuição da população
jovem, quer pelo topo com o incremento da população idosa. A pirâmide
de idades deixou de ser triangular e apresenta um estreitamento
na base, como resultado da baixa da fecundidade e um alargamento
no topo decorrente da maior longevidade. Assiste-se assim, ao
fenómeno da "inversão" da pirâmide de idades.
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| Pirâmide
Etária, Portugal 1960-1998
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A
estrutura etária da população continuará a sofrer alterações nos próximos
anos, sendo previsível que a população idosa ultrapasse em número
a população jovem, entre 2010 e 2015. Serão mantidas ou mesmo acentuar-se-ão
as diferenças entre os sexos, com níveis de envelhecimento mais significativos
nas mulheres. Como consequência, a população idosa reforçará a sua
importância relativa e a sua tendência de envelhecimento e feminização.
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| População
residente por grupos etários, Portugal, 1960 - 1998 |
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O
grupo dos jovens, que em 1960 representava 29,2% do total da população,
viu essa posição reduzir-se a 16,9% em 1998. Simultaneamente, o grupo
dos idosos não deixou de crescer e elevou-se de 8,0% para 15,2% no
mesmo período. O fenómeno do envelhecimento traduziu-se por um decréscimo
de 35,1% na população jovem, isto é, com idades compreendidas entre
os 0 e os 14 anos, e um incremento de 114,4% na população idosa, ou
seja, com 65 e mais anos. |
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| Excedente
de mulheres acentua-se na população idosa |
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Em 1960, existiam 92 homens
por cada 100 mulheres em Portugal. Passados cerca de 40 anos, a
relação de masculinidade subiu ligeiramente para 93. Este indicador
atingiu os valores mais baixos nos anos de forte emigração das décadas
de 60 e 70 (o mínimo foi atingido em 1973 com o valor de 88,9) em
resultado de uma emigração essencialmente masculina. A relação de
masculinidade diminui à medida que se avança na idade, devido essencialmente
ao fenómeno da sobre- mortalidade masculina nas diferentes idades.
Em 1960 residiam em Portugal apenas 66 homens idosos por cada 100
mulheres idosas; em 1998 eram aproximadamente 69. A relação de masculinidade
da população idosa atingiu o valor mínimo em 1965 (64,1) e o máximo
em 1991 (70,9), ano a partir do qual não cessou de descer até se
situar nos 69,3 em 1998. Nas idades acima dos 74 anos a relação
de masculinidade é ainda mais reduzida passando do valor de 56 em
1960 para 59 em 1998.
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Em
1998, o Alentejo é a região mais envelhecida, por oposição aos Açores,
a região mais jovem |
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A repartição de idosos não
é homogénea no território nacional como resultado das diferentes
evoluções demográficas regionais. A região Norte detinha, tanto
em 1990 (11,4%) como em 1998 (12,8%) a mais baixa percentagem de
idosos no Continente como resultado das elevadas taxas de natalidade
observadas.
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| População
com 65 e mais anos, por sexo (%), NUTS II, 1990/1998 |
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| A maior
importância relativa de idosos em 1998 (21,6%) pertencia ao Alentejo,
tal como já acontecia em 1990 (19,3%). Esta situação decorre da evolução
demográfica do Alentejo se caracterizar por crescimentos efectivos
negativos, o que implicou perda de população em todos os grupos etários,
excepto no grupo dos 65 e mais anos. A R.A. dos Açores (11,9%) substituiu
a R. A. da Madeira (12%) em 1998, passando a pertencer-lhe o lugar
de região com menor nível de envelhecimento. |
| Para saber mais... |
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A Assembleia Geral das Nações
Unidas, através da resolução 47/5 de 16 de Outubro de 1992, proclamou
1999 como o Ano Internacional das Pessoas Idosas, subordinado
ao tema "Uma Sociedade para todas as Idades". O Instituto Nacional
de Estatística, atento à actualidade do fenómeno do envelhecimento
populacional, uma característica dos países desenvolvidos, desenvolveu
um estudo (Gerações Mais Idosas) com o objectivo de apresentar
a evolução das características demográficas das pessoas idosas
em Portugal no final do século e delinear um retrato das suas
condições económicas e sociais. A informação apresentada é um
resumo do referido estudo.
Algumas definições:
Acréscimo Populacional
- diferença entre os efectivos populacionais em dois fins
de ano consecutivos ou soma do saldo natural e do saldo migratório.
Esperança de Vida à Idade X - número médio
de anos que um indivíduo pode esperar viver em determinada idade
se se mantiverem constantes as taxas de mortalidade observadas
no momento (ano de observação).
Esperança de Vida à Nascença - número médio
de anos que um indivíduo pode esperar viver, se submetido, desde
o nascimento, às taxas de mortalidade observadas no momento
(ano de observação).
Índice de Dependência de Idosos - quociente
entre a população idosa (65 e mais anos) e a população em idade
activa (dos 15 aos 64 anos).
Índice de Envelhecimento - quociente entre
a população idosa (65 e mais anos) e a população jovem (dos
0 aos 14 anos).
Índice de Longevidade - relação entre a
população de 75 e mais anos e a população de 65 e mais anos.
Trata-se de um indicador adicional de medida de envelhecimento
de uma população.
População Idosa - conjunto de indíviduos
com 65 e mais anos de idade.
Relação de Masculinidade - quociente entre
os efectivos populacionais do sexo masculino de um determinado
ano e os efectivos populacionais do sexo feminino no mesmo ano.
Saldo Migratório - diferença entre o número
de imigrantes registado num determinado ano e o número de emigrantes
registado no mesmo ano.
Saldo Natural ou Excedente Vidas - diferença
entre o número de nados-vivos ocorrido num determinado ano e
o número de óbitos ocorrido no mesmo ano.
Sobremortalidade masculina - designação
utilizada para qualificar o excesso de mortalidade masculina
em relação à feminina.
Taxa de Mortalidade - quociente entre o
número de óbitos ocorrido num determinado ano e a População
Média desse mesmo ano.
Taxa de Crescimento Efectivo - quociente
entre o Acréscimo Populacional e a população média num determinado
ano.
Taxa Média de Crescimento Anual da População
- variação média anual da população no período considerado.
Para encontrar mais
informação sobre esta área temática
consulte, no ALEA, o Dossier Temático nº 1 -Dossiers
e Recursos - e no Infoline a publicação Gerações
mais Idosas.
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